sábado, 29 de janeiro de 2011

Aconteceu na Esquina Democrática em Porto Alegre.



No dia 08 de agosto de 1990, amanheceu parecendo que ia ser mais um dia comum, eu morava na parada 13 da Lomba do Pinheiro- Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, e trabalhava bem no Centro da cidade, na av. Otávio rocha, entre a Rua vig.josé inácio e a Mal.Floriano Peixoto, estou descrevendo o endereço porque o que vou relatar aconteceu na esquina adiante de onde eu estava.
Bom, nesse dia, cheguei ao serviço e já soube pelo porteiro do prédio que estava acontecendo uma manifestação em frente ao Palácio Piratini, sede do Governo. Era um grupo de MST(Movimento dos Sem Terra) e soube que Brigada Militar (policia militar do RS ), estava de Alerta, me preocupei porque namorava com um soldado da Brigada e na noite anterior ele estaria de serviço, a manhã estava muito agitada, do nosso andar ouvíamos gritos, víamos correrias, as pessoas estavam com medo e qualquer sinal de turbulência elas corriam, e eu mais ainda porque meu namorado não ligava para me dar notícias. foi então que ouvimos outra correria, desta vez as pessoas gritavam horrorizadas, um grupo de militantes do MST que fugiam do confronto que se deu entre a Brigada e os MST na frente do Palácio do Governo, desceram a av. Borges de Medeiros com armas rurais nas mãos, eram foices, enxadas, facões, e bem na esquina da Rua dos Andradas, conhecida como ESQUINA DEMOCRÁTICA, eles encontraram um Brigadiano, VALDECI DE ABREU LOPES, de apenas vinte e poucos anos, alguns contam que Valdeci se apavorou e disparou contra eles, outros contam que Valdeci estava encostado na viatura esperando o companheiro que estava dentro de um prédio, o fato é que esse grupo o cercou e sem que ele tivesse tempo de reagir o imobilizaram e um deles cortou-lhe a garganta com uma foice, quando descemos para almoçar soubemos que todos os comércios estavam fechados e o porteiro nos contou sobre a tragédia, eu quase desmaiei, comecei logo a chorar porque Ademir (meu namorado), não tinha dado notícias ainda, estava tudo muito agitado, parecia que estávamos num campo de guerra, muitos policiais a cavalos, motos, viaturas por todos os lados, batalhão de choque, voltamos para o escritório e pedimos comida pelo telefone, já eram mais de 4 da tarde quando ele me ligou, pediu desculpas mas os oficiais os confinaram no quartel e o orelhão do pelotão dele estava quebrado, ele estava muito triste porque o rapaz morto era do seu pelotão e deixou esposa e filho pequeno, ele também me recomendou que não andasse só nas ruas, estava perigoso demais, a Brigada militar cercou o grupo que matou o soldado dentro da prefeitura e estavam rebelados, nem o Comandante geral conseguia dissuadi-los a sair de lá, então o exército mais a policia civil estavam cercando a Brigada militar que cercava a prefeitura... era um verdadeiro campo de guerra.
No final, prenderam o grupo mas nunca prenderam a pessoa que desferiu o golpe contra ele, ficou sim a dor de companheiros, amigos, da familia, da esposa e do filhinho que cresceu sem conhecer o pai. 
Se era um movimento pacífico, o que houve então? porque denegrir a imagem de um movimento que só buscava melhores condições de vida para os colonos? porque eu, desde esse dia, nunca mais olhei o MST como sendo um movimento pacífico e acredito que todos que estavam no centro de Porto alegre naquele dia, passaram a pensar como eu, e tudo isso aconteceu por ironia do destino, na ESQUINA DEMOCRÁTICA. onde estava a democracia naquele instante de barbárie? Onde estava pelo menos o Amor Cristão? agiram como mero animais, acho que nem como animais, apenas BÁRBAROS.
No ano seguinte eu voltei para São Luis, mas aquele dia ficou marcado, e quanto ao namorado? não deu certo, mas essa história vou contar outro dia...
Que Deus os abençoe.
Bjs.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Lar Doce Lar"



Outro dia, deitada me lembrei da nossa primeira casinha de aluguel...
Depois que meu pai se foi, nós perdemos tudo, até a casa, pois minha mãe não trabalhava e nessa época a Cohab tomava mesmo a casa dos inadimplentes e passava para quem saldasse a dívida.
Bom, o que sei é que passamos por trancos e barrancos, entre a ida da minha mãe para São Paulo e sua volta, moramos com tios, com amigos, e éramos sete crianças, mais a nossa irmã por criação e mais a nossa mãe, então seja qual fosse o grau de amizade, quem aguentaria tantas bocas a sustentar por tanto tempo? 
Foi então que a minha mãe apelou para os contatos politicos do meu pai (que na nossa cidade natal, no interior do Estado, era político), e um político (hoje famoso), se compadeceu da situação dela e fez uma indicação, e ela foi contratada pelo Estado. Era uma vitória muito grande pra familia, porque antes o final do mes chegava e ela não tinha nem um rendimento a receber, mas agora era diferente... minha mãe estava empregada!
Ela começou a procurar casa para alugar, coitada, eram caras as casas, levariam praticamente a metade do salário dela, nós estávamos morando todos separados, uns com uma tia aqui, outro tanto com outra tia ali, foi então que ela conheceu uma senhora que trabalhava no mesmo lugar que ela e que alugava umas casinhas de pau a pique e ela disse à minha mãe que estava construindo outra, mas ainda estava molhado o barro, minha mãe não pensou duas vezes e pediu que ela alugasse assim mesmo, ela concordou.
Lembro como se fosse hoje o dia em que nos mudamos, sabe aquele Clichê "Pobre não tem nada, mas quando a casa cai perde tudo"? pois é, a gente não tinha nada, mas o caminhãozinho do vizinho ficou cheínho de trecos...rsrsrs.
Mas, era uma festa, eu estava na carroceria do caminhão, o vento era mais puro, a cidade estava mais bonita, eu estava tão feliz, era uma casa só pra gente, sem ninguém vigiando pra ver se a gente ia quebrar alguma coisa, ou dormir a hora que queria, ou acordar a hora que queria, nossa!
Quando eu olhei a casa, era bem pequena e o barro ainda molhado cheirava tão bem, eu a achei linda, acho que tinha 2 metros de largura e 10 metros de comprimento, mas era perfeita! Eu corri ao redor da casa, tinha bastante espaço pra correr, o quintal era enorme, viveria altas aventuras na selva...lembra do EU, A PIPA E O BURRO? pois é, foi nesta casinha...rsrsrs
Só faltou a plaquinha dizendo "Lar Doce Lar".
A minha foi uma infancia muito difícil, mas do meu jeito, no meio das molecagens, eu tive meus momentos felizes...
E continuo tendo...e sei que a felicidade verdadeira só com meu Criador... e voce também pode te-la, basta crer!
bjs.

domingo, 16 de janeiro de 2011

"O MEU VALE DE BACA"



Amanhecí hoje chorando, faz dias que choro por tudo, choro lendo a Biblia, choro ouvindo musica gospel, chorei assistindo aos noticiários das cidades serranas, chorei no casamento de uma amiga que amo como filha, choro principalmente quando estou orando, falar com o meu criador ultimamente me emociona de uma maneira que não sei explicar, geralmente sou uma manteiga derretida, mas minhas provações têm me deixado mais chorona ainda, no dia 22 de setembro de 2010 às 08:30hs eu sofrí um acidente de trânsito, estava na garupa de uma moto e um carro bateu na gente, com o impacto fui impulsionada para frente e ao cair, todo o peso do meu corpo foi sobre o meu joelho esquerdo, desde então tem sido uma maratona de hospitais, médicos, consultas, e no laudo do ultimo exame deu que tive roptura completa dos ligamentos cruzados do joelho e lesão do menisco, por isso não consigo andar e por isso também terei que ser submetida a uma intervenção cirúrgica para a recontituição dos mesmos.
Bom, por essas e outras provas as quais Deus tem me submetido, eu tenho me sentido atravessando o Vale de Baca, ou o Vale de Lágrimas (Sl 84:5,6), em minha Biblia Presbiteriana encontro o "Vale Árido".   
O destino de quem passava por Baca era Sião, a passagem era obrigatória, Baca moldava os peregrinos que ansiosos por chegar à Jerusalém e ir ao Templo, se arriscavam no Vale. Baca era um vale muito árido e durante a sua travessia os peregrinos tinham que cavar poços para se reabastecerem, havia também os que, por misericórdia de Deus, encontravam os poços cavados por peregrinos que, por ali já haviam passado .

Este artigo define como me sinto, retirei de uma postagem da JORNALISTA E TEÓLOGA WILMA REJANE, em seu Blog "A TENDA NA ROCHA".

NOSSAS VIDAS E O VALE DE BACA

"Muitos de nós passamos por esse vale, alguns poucas vezes, outros muitas; alguns até vivem em Baca, porém; assim como nós passamos por ele, ele também se irá de nós.


Alguns necessitam de muito esforço para cavar poços e sobreviver, outros, nem tanto, desfrutarão em Baca do esforço que outros fizeram; estes, encontram os poços já cavados e cheios pela água da chuva. Em Baca também há poços cavados e vazios que se enchem de lágrimas, mas,nas lágrimas existem bálsamo que trazem conforto e também alegria: "Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão"Sl 126:5.

Apesar da aridez de Baca ele pode se tornar uma fonte onde nos tornamos mais sábios, fortes, resistentes e confiantes. Aprendo que em Baca recebo sustento para alcançar Sião e que Sião representa todo e qualquer lugar onde se deseja chegar para receber vitória."


Tenho suportado a minha travessia por Baca por causa das promessas que Deus me fez, e uma delas é que ele só me dará o fardo, conforme eu possa carregá-lo, quando eu não tiver mais aguentando, sei que ELE virá em meu socorro.
Enquanto isso, na travessia encontro meus poços, alguns vazios, que é a falta que me faz o meu trabalho na obra, as dificuldades para me locomover, dependendo sempre da boa vontade de amigos e irmãos, não poder trabalhar por causa da enfermidade.
E os meu poços cheios, que é a solidariedade de meus irmãos em Cristo que me ajudam a manter a minha botija com farinha e óleo, sem secar. As orações dos ciclos da minha Igreja, as visitas dos amados irmãos, que confortam o meu coração, que se entristeçe com a distância.
Mas o que me conforta é que a palavra diz que todo esse vale está me moldando para a benção maior que meu Deus tem reservado para mim, sou um vaso quebrado e o oleiro está me remontando, se ainda há lágrimas a serem derramadas, eu as derramarei, minhas lágrimas não serão em vão, elas se transformarão em bálsamos que perfumarão a minha vitória, os meus caminhos, a minha vida.
Tenho a certeza que há uma luz no fim deste vale e essa luz, repleta de vitórias, me aguarda, e eu, ansiosa, frágil, esvaindo-me em lágrimas, mas confiante nas promessas, atravesso o meu vale para cair nos braços do Pai.
Que Deus continue a me acompanhar e não solte a minha mão, para que a travessia se torne mais breve e daqui ha algum tempo se torne apenas uma vaga lembrança e que só servirá de aprendizado...
Amém. 


terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Uma Nordestina no Rio Grande do Sul...

No verão de 1991, tinha uns vinte anos, morava em Porto Alegre e por causa do plano Collor eu, assim como milhares de Brasileiros, estava desempregada, então minha ex-chefe de setor, que aqui chamarei de Gladz, me pediu que acompanhasse seus filhos menores de idade, em sua casa de praia durante o verão, a casa era pequena, confortável, fica na praia de Cidreira, uma das mais belas do RS.
Já tinha mais ou menos 02 anos que não ia a uma praia, então me sentia no paraíso, estava louca de saudades das praias maranhenses, acordava já a carater, de biquini; a casa ficava a duas quadras da praia então bastava andar cem metros e lá estava o mar, lindo e maravilhoso.
O mês de janeiro se passou. De manhã praia, a tarde praia, e à noite os meninos que eu "cuidava", o que era desnecessário porque eram adolescentes super responsáveis, eles faziam pequenas reuniões para os amigos que haviam feito ou que reencontraram do verão passado e eu apenas observava, as vezes me sentindo a "velha" da casa, atravessava a rua e me sentava na calçada.
Chegado o mês de fevereiro a casa encheu, eram amigos de Gladz, pessoais ou do escritório, tudo era festa, tinha colchonetes espalhados por toda parte, a casa nunca ficava vazia, sempre tinha alguem cozinhando alguma coisa, parecia a casa do "BBB", e eu lá, uniformizada de roupa de praia, estava bom demais, passava o dia jogando volei ou passeando na praia.
Os jovens da casa se prepararam para o carnaval, compramos ingressos para o clube mais badalado e caro da cidade, nós meninas fomos às compras, short's e blusas para compor o visual, eu estava negra, meu bronzeado estava de dar inveja às amigas gaúchas, elas todas branquinhas, loirinhas, eu estava arrasando!
Como todos os dias, na sexta de carnaval levantamos e já fomos para a praia, qd eu voltei ao meio dia, sentia uma sêde fora do comum e muito calor, só não voltei para a praia depois do almoço porque tinha que lavar minhas roupas, o que acalmou um pouco o calor que sentia.
A noite chegou, era um alvoroço só, as meninas se maquiando os rapazes se arrumando, eu não precisei me maquiar, minha cor era tudo; estava me sentindo um pouco cansada, mas nada me faria desistir do grande baile (ou quase nada).
Passamos quase uma hora na fila pra entrar no clube, mas conseguimos entrar, a banda era maravilhosa, a decoração estava linda, mas minha cabeça estava quase explodindo, estava ensopada de suor, meu cabelo estava grudado na cabeça como se tivesse jogado um balde d'agua em cima de mim, já passava de meia noite eu decidí sair, meus amigos se preocuparam, mas eu os tranquilizei, disse que iria pra casa.
Quando saí do clube, que o vento bateu em mim sentí frio e percebí que devia estar com febre, começei a andar na direção de casa, mas minha cabeça doía muito, teve uma hora que sentí vontade de vomitar, foi então que um carro da Brigada Militar(PM do RS) parou perto de mim e os Brigadianos me deram uma carona até em casa, em outra ocasião ter a atenção de brigadianos só pra mim, seria a glória, mas eu estava me sentindo muito mal, nem olhei a cara deles, além do que eles deviam estar achando que eu estava bêbada. Em casa Gladz estranhou minha volta, mas me deu um remédio pra dor e enjôo, eu tomei um banho e fui dormir.
Na manhã seguinte, eu abrí os olhos, mas estava tão cansada que resolví ficar deitada, eu ouvia as vozes do lado de fora do quarto mas não conseguia me levantar, foi então que ouví a voz de Gladz perguntando por mim, ela entrou no quarto e qd me olhou quase teve um treco, eu estava totalmente inchada, vermelha, eu estava com insolação! Fui levada as pressas ao hospital de "turistas",(lá no RS, nas cidades praianas eles têm hospitais para turistas que exageram) agora imaginem vocês, uma nordestina acostumada ao sol desde que nasceu, foi ter insolação lá no Sul, que vergonha!
Passei o dia internada tomando soro para reihidratar, qd saí do hospital à tarde, a recomendação do médico era repouso absoluto, acabou carnaval, acabou praia, não podia ter nem uma exposição ao sol, teria que usar mangas compridas e boné qd saisse ao sol, parecia uma "ET", então nem preciso dizer que não saia de casa por nada, né?...rsrsrs.
E foi assim que uma nordestina, uma "RATA" de praia foi pegar insolação no RS.
bjs.








sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Óh! e agora? Quem poderá me defender?...Meus Heróis...

Hoje de manhã tive uma surpresa super agradável, meu primo Riba me ligou pra desejar Feliz ano novo e pra falar de suas conquistas, depois de muitas tribulações que ele passou, fiquei muito feliz, e acabei me lembrando de um episódio da minha infancia.
Eu era pequena, morava na casa da Cohab, minha mãe já tinha ido pra São Paulo e minha tia caçula ajudava a cuidar da gente, eu tinha uns cinco anos, era muito sapeca, estava brincava com minha prima Ciele, e numa dessas corridas, parei sem avisar e Ciele esbarrou em mim, eu caí e batí com o rosto na quina do terraço, sentí uma dor horrível e fiquei lá, ouví minha Tia dizer_Levanta Prêta..._ (rsrs...esse era meu apelido, prêta) mas eu estava sentindo algo quente no meu rosto, levei a mão onde doía e quando olhei, era sangue, minha prima começou a gritar e eu também, minha tia correu assustada na nossa direção e só lembro dela dizer_Meu Deus! Meu Deus!_ minha irmã mais velha saiu do quarto e veio até nós, ela mandou minha irmã ir chamar meu irmão "divino"(era o apelido dele) no colégio, aquele da caixa d'agua no topo da av.14 na cohab, enquanto isso ela tirou minha blusa e colocou em cima do ferimento, me deu um banho rápido e vestiu outra roupa, não demorou muito meu irmão chegou e com ele meu primo Riba, eles estudavam no mesmo colégio, minha tia mandou eles me levarem na farmácia do Dr.Leopoldo, ele era farmaceutico mas era como se fosse o médico particular daquela comunidade, todo "primeiro socorro" passava antes por ele, depois que ele encaminhava para outro lugar, a farmácia dele era perto do Superm. Lusitana, hoje Super Bom Preço.
Bom, eu lembro que meu irmão e meu primo desceram aquela avenida comigo no colo, e revesavam entre sí, porque eu era pequena mas, sempre fui "cheínha" rsrs, as pessoas olhavam compadecidos para os dois garotos carregando aquela menininha toda ensanguentada, e eu me enchia de orgulho, meus heróis, estavam me salvando, meu irmão já era meu herói, e agora eu tinha mais um, meu primo Riba, sabe aquele primo que implica com os menores até os pequenos chorarem? pois é, ele era muito bom nisso e eu era um de seus alvos principais, mas naquele dia...ele era meu herói, quase nem sentia mais aquela dor horrível e o sangue que não parava...
Bom lembro ainda que eles acharam uma moedinha no chão e no caminho compraram um bolinho chamado "mãe benta" pra ver se eu parava de chorar mas, pouco adiantava, eu já era muito chorona sem motivo, imagine então com um bom motivo.
Na farmácia o Dr.Leopoldo fez um curativo e disse que alguém teria que me levar ao hospital pois o corte no rosto levaria uns 04 pontos; levou mesmo e ficou a marca.
Logo chegou um adulto da minha família que me levou pro bendito hospital....
Mas eu nunca esquecí dos meus heróis...eles cresceram e ainda são muito importantes na minha vida e com certeza são os heróis da renca de filhos que tiveram...rsrs.
bjs.











terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"Uma tia que era uma mãe!"

Outro dia falei pra voces da minha tia Fafá, quando minha mãe viajou pra São Paulo, meu vôzinho me levou pra ficar com ela no interior do Estado, na nossa cidade natal São Bento, eu chorava muito a falta de minha mãe e minha tia era todo carinho, me enchia de mimos. 
Como eu já sabia ler e escrever aos 06 anos, ela resolveu me matricular na escola; não riam, o nome da escola era Grupo Escolar Estado da Bahia.
Aguardava com ansiedade meu primeiro dia de aula, minha tia Fafá comprou um vestido lindo, como ha muito tempo eu não tinha, acordei de manhã cedo, minha tia me arrumou, me deu um caderno novo, colocou tudo em uma escacela rosa e mandou a irmã do seu marido me levar para a escola, Ilma tinha seus 15 anos e era muito afoita, estava apressada em me deixar na escola pois tinha alguma coisa pra fazer e eu estava atrapalhando, então ela resolveu me levar por outro caminho.
Havia um açude no portinho e se atravessasse por cima de uma mureta chegaríamos mais rápido na escola, então fomos por lá, no caminho paramos para cutucar uns muçuns (peixes com formato de cobra muito comum na cidade) que passavam bem pertinho da gente, Ilma se distraiu e eu me desequilibrei...caí na água e ela não me viu, subí uma vez, tentei gritar mas não conseguí, afundei de novo, eu olhava debaixo dagua, estava desesperada, não conseguia respirar, achei que ia perder a consciencia quando sentí alguém me puxar pelos cabelos e eu sentí o ar entrar nos meu pulmões de novo. Ilma me puxara para a mureta.
Eu tossia e tentava respirar mas era dificil e ela me xingava, dizendo que eu era lerda, que a culpa era minha, que minha tia ia brigar com ela, eu chorava porque meu caderno enxarcou na água, meu vestido novo estava só lama, minha maria chiquinha desmanchou todo, e ela ainda estava zangada comigo, ela me pegou pela mão e praticamente de arrastou pela mureta.
Então me levou na casa de outra tia que ficava alí perto, essa tia me deu outro banho e me colocou um vestido maior que eu e bem usado, chorei de novo, por causa da roupa, era pequena e não entendia a preocupação de minha tia, eu quase morrí naquele dia, depois percebí que tinha medo de lugares fechados, nunca mais brinquei de me esconder em armários, entrar no mar além dos pés? só depois que crescí, e olhe lá.
As pessoas imaginam porque temos fobias, elas não aparecem do nada, há sempre um gatilho, apesar de eu não ter entendido o que eu tinha, naquele dia nasceu a minha hidrofobia, eu entro numa piscina só na parte das crianças, no mar só fico na parte das espumas... e quer ver eu me zangar é dizer que vai me arrastar pro lado mais fundo.
ah, eu quase ia esquecendo, meu primeiro dia de aula foi ótimo, a professora me deu um caderno novinho e por ser a mais nova da turma os coleguinhas foram legais, mas o que não foi nada legal foi a bronca que Ilma tomou da minha tia fafá, ela depois comprou outro vestido pra mim...
Eu fiquei lá com a minha tia até mamãe voltar...foi um tempo que lembro com carinho...fora o afogamento claro, pena que essa minha tia se foi cedo, eu tinha 15 anos quando ela faleceu...mas eu nunca a esquecí, ela tinha o mesmo cheiro da minha mãe, acho que era o amor que ela me dava, se não fosse ela talvez meu sofrimento pela distancia da mãe teria sido maior. gosto muito das tias mas esta era a minha preferida...Minha Tia Fafá.

domingo, 26 de dezembro de 2010

"Eu corrí, corrí, mas o táxi era mais rápido..."

 Este fato aconteceu pouco depois do meu pai ter nos deixado, acho que tinha uns 05 anos, morávamos na cohab.
As coisas não foram fáceis para a minha mãe quando meu pai foi embora, porque ela quando casou deixou de trabalhar fora para ajuda-lo no comercio dele, então depois de quase 18 anos sem carteira assinada, voltar para o mercado de trabalho nos anos 70, era algo muito complicado.
Primeiro ela começou a vender suas jóias, tudo o que havia sobrado do seu conturbado casamento com meu pai, quando não havia mais jóias ela começou a vender suas louças, eram peças de qualidade, mas de nada servia se não tínhamos o que comer, depois das louças e prataria, ela começou a vender os móveis, me lembro muito bem de uma "petisqueira", era um móvel lindo, com portas de vidro todo trabalhado, madeira talhada manualmente, onde ela guardava suas louças, suas taças ficavam penduradas, era algo que não se vê hoje em dia, e assim tudo de dentro de casa foi saindo, a casa foi ficando vazia, e consequentemente maior, a vantagem para mim, eu pensava, era que podia correr à vontade que ninguém mais brigaria, não tinha o que quebrar dentro de casa. 
Mas chegou o dia em que não havia mais nada a vender dentro da nossa casa, e meu pai se recusava a dar pensão alimentícia para nós, quando ele se foi disse que," quem quisesse comer teria que ir morar com ele", mas éramos pequenos e amávamos muito a nossa mãe para abandoná-la e nessa época a sociedade era ultra-machista, o homem podia fazer o que quisesse que a justiça ainda dava razão pra ele, aquela famosa frase "EM BRIGA DE MARIDO E MULHER, NINGUÉM METE A COLHER", com isso quem sofria éramos nós.
Então certo dia minha mãe fez o que muitos nordestinos fazem, foi tentar a sorte na cidade grande, ela tinha uma amiga que morava em São Paulo e a convidou para ir pra lá, ela iria na frente e depois mandaria nos buscar.
Naquela manhã acordei com minhas irmãs mais velhas choramingando, minha mãe arrumava as malas, eu não entendia muito o que estava acontecendo mas fiquei triste com o choro das meninas, a minha irmã caçula estava com meus avós, então eu era a menor, ouví quando minha mãe mandou meu irmão Dino chamar um taxi pra ela, eu achei que ia andar de carro e fiquei toda serelepe, andando de um lado para o outro, esperando o taxi, quando o taxi chegou minhas irmãs recomeçaram o choro, alguma coisa estava errada, então nós não íamos com ela?
as malas foram colocadas no porta malas e ela então começou a chorar e abraçar a todos abençoando, na minha vez, começei a chorar que queria ir junto, ela então me deu umas moedinha e me mandou comprar uma balinha, eu perguntei se ela ia me esperar ela disse que sim, eu corri para a quitanda e quando já estava voltando ví o taxi indo embora, começei a correr chorando atrás do taxi, quanto mais eu corria mais ele ficava distante de mim, eu chamava por ela, dizia _Mãe, me espera_ mas o táxi ia sumindo, descendo a avenida 14, sentí apenas quando alguém me carregou, não lembro qual dos meus irmãos, eu chorava copiosamente, pois ela havia dito que iria me esperar, eu não queria mais a bala, eu queria minha mãe.
Fui levada pra casa mas nada me consolava, dias depois meu avô querido, foi me buscar para ficar na casa de minha tia Fáfá, foi quem me encheu de carinho e mimos tentando compensar a falta que mamãe fazia.
Quando crescí prometí que quando tivesse meus filhos nunca enganaria a eles quando perguntassem onde eu iria, eu sempre responderia com a verdade, nunca diria que os levaria se não fosse possível levá-los.
Pois foi algo que ficou marcado, a visão daquele taxi indo embora com a minha mãe dentro. Achei que nunca mais fosse ve-la, e aquela sensação de que ela havia mentido pra mim me deixou muito triste; meses depois ela voltou, não tinha dado certo o que ela planejara em São Paulo.
Mas a volta dela já é outra história....depois conto pra voces.
bjs.